Revisão de Cape Fear: Javier Bardem e Amy Adams estrelam no remake da Apple TV





Já vimos a história de “Cape Fear” na tela várias vezes: no filme original de 1962, estrelado por Gregory Peck e Robert Mitchum; no remake de 1991 dirigido por Martin Scorsese e estrelado por Robert De Niro; e até mesmo na brilhante paródia dos Simpsons que colocou Sideshow Bob contra uma dúzia de libertinos. Agora “Cape Fear” renasce mais uma vez como uma série de 10 episódios da Apple TV – com estreia nesta sexta-feira; Eu vi os três primeiros – e é um pouco confuso, na verdade. Transformar esta história em uma série de TV completa torna a narrativa muito tênue, levando a algumas complicações ridículas no enredo. Ainda assim, é agradavelmente polpudo com algumas reviravoltas inteligentes, e Javier Bardem é absolutamente magistral como o violento ex-presidiário Max Cady; ele quase faz toda a série valer a pena assistir sozinho.

A espinha dorsal da história original está intacta – Max busca vingança contra o advogado que ele culpa por colocá-lo na prisão – mas há uma mudança de gênero aqui, com Amy Adams interpretando sua advogada de defesa Anna Bowden, que desfruta de um churrasco no 4 de julho com seu marido Tom (Patrick Wilson) e família enquanto Max apodrece na prisão. Max é libertado, porém, após 17 anos, quando novas evidências o exoneram (muito rapidamente, devo acrescentar), e ele se torna uma celebridade do crime verdadeiro. Mas Anna não quer nada com ele, temendo que ele esteja em busca de sangue, e descobrimos que também há muitos esqueletos escondidos em seu armário. Tudo isso está apenas na cabeça dela? Ou Max está realmente planejando a vingança final?

As emoções são menos emocionantes quando estendidas para 10 horas

Nick Antosca (“The Act”) é o showrunner aqui, e ele empresta ao seu “Cape Fear” uma sensação sinistra e suada que combina com o filme de Scorsese, com cinematografia vívida e cores profundas e saturadas. Esta versão também faz um trabalho sólido ao transmitir o medo e a paranóia crescentes de Anna, com uma trilha sonora sinistra retirada do original de Bernard Herrmann e close-ups perturbadores que aumentam a intensidade. (Os Bowdens têm um sistema de segurança residencial com defeito que irrita todos os nervos toda vez que dispara por engano.) Não é um show sutil, que nos atinge com metáforas grandes e barulhentas, e também não é para ninguém com estômago fraco. Ele abre com uma cena de violência brutal e não diminui muito a partir daí, deleitando-se com respingos de sangue e partes de corpos decepados.

Porém, este é um programa de TV de 10 horas, não um filme de duas horas. Antosca tem que adicionar complicações e reviravoltas na trama para completar as coisas – incluindo uma referência divertida ao filme de Scorsese – e ele encontra novas camadas intrigantes na dinâmica de Max-Anna que diferenciam sua versão. Mas uma história como essa depende do aumento gradual da tensão e, nessa extensão, a trama de vingança fica flácida e perde impulso. Seus personagens também tomam decisões idiotas que prejudicam a credulidade apenas para manter a trama avançando. (Anna tem várias oportunidades de excluir Max de sua vida, ao que parece, mas opta por não fazê-lo.) É difícil manter um thriller emocionante por horas a fio, e este “Cape Fear” fica aquém nesse aspecto.

Amy Adams não tem muito o que fazer a não ser se preocupar

Adams é uma artista fantástica, sem dúvida – somos #TeamArrival nesta casa – mas fiquei desapontado com a forma como ela é utilizada aqui. Como Anna, ela não tem muito o que fazer a não ser se preocupar com um leve sotaque sulista com toque de mel. Bardem vale totalmente o preço do ingresso, como Max. Ele não aparece até o final da estreia, como o tubarão de “Tubarão”, mas quando finalmente aparece, ele é instantaneamente cativante, exibindo um sorriso diabólico e misturando charme e ameaça no modo de seu icônico vilão de “No Country for Old Men”, Anton Chigurh. (O homem pode até fazer com que comer uma casquinha de sorvete pareça ameaçador.)

O Max de Bardem tem uma risada calorosa e perturbadora que rivaliza com a de De Niro na versão de Scorsese, e mesmo quando ele está falando docemente com um estranho, podemos sentir a raiva mal disfarçada pulsando logo abaixo da superfície. É uma performance hipnotizante e animalesca que explora tudo o que este “Cape Fear” está tentando ser. É uma pena que o resto da série não chegue ao seu nível.

THE TVLINE BOTTOM LINE: Javier Bardem é incrível como Max Cady, mas o novo “Cape Fear” da Apple TV é uma mistura, esticando seu enredo muito fino com reviravoltas ridículas.




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