Crítica: Loneshore – Nada sobrou para desconstruir

Arte do álbum por: David Preissel (fotógrafo)

Estilo: Pós-metal, doom metal, metal progressivo (vocais mistos)
Recomendado para fãs de: The Ocean, Swallow the Sun, Katatonia
País: Brasil
Data de lançamento: 19 de junho de 2026


A relação entre gênero e tema é surpreendentemente robusta. Se eu nomear um gênero, você provavelmente terá algumas suposições bastante precisas sobre o tipo de tópicos que uma determinada banda que toca esse gênero irá explorar. O death metal, por exemplo, muitas vezes se apoia em imagens de terror ou ficção científica e, em seu extremo, chega ao horror corporal desconfortável e ao assassinato sangrento. O rock gótico dá voz ao tesão indecente dos cronicamente subsexuais, enquanto o metal gótico incorpora a melancolia existencial dos insatisfeitos pós-coito. Nu metal é sobre ficar bravo com seus pais. A house music é uma manifestação do desejo por estimulantes. Country é ter um caminhão e desejar que certas pessoas não possam votar. Eu poderia fazer isso o dia todo, mas temos uma revisão para fazer! O que quero dizer é que, quando digo “pós-metal”, você provavelmente espera reflexões filosóficas sobre o eu explorado por meio de metáforas das ciências da terra.

Mas você estaria errado! Sobre Nada sobrou para desconstruir, Costa Solitária crie um álbum conceitual sobre a Grande Inundação de Melaço de 1919, em que um tanque de armazenamento contendo 2,3 milhões de galões americanos de melaço estourou, resultando em uma onda de melaço sufocando o porto de Boston, matando 21 pessoas e ferindo 150!1 …Nah, estou brincando, são mais reflexões baseadas na natureza do eu através de lentes geográficas novamente. Oito anos após sua estreia, o grupo brasileiro retorna com um disco que fica em algum lugar entre as armadilhas composicionais do pós-metal, a intensidade do death metal melódico e o trabalho melancólico do doom. O resultado é um coquetel de O oceanocedo Catatôniae Engula o Sol com um brilho um tanto do final dos anos noventa em seu núcleo pós-metal moderno.

Costa Solitáriao uso de harmonias vocais limpas ao longo do álbum cria um foco melancólico que proporciona alguns momentos de destaque, particularmente os cantos rítmicos de apoio em “Of Lost Waters” que acompanham o canto cada vez mais contido de Luiz Felipe Netto. Suas durezas têm um ranger enegrecido que é funcional, mas às vezes pode parecer um pouco forçado. Há versatilidade suficiente nesses estilos vocais para manter o ouvinte interessado. Instrumentalmente, as construções pós-metal e os tempos doomy definem em grande parte Nada sobrou para desconstruirmas há alguns obstáculos na mixagem, como “To Stride the Black Earth”, que instantaneamente se destaca como a faixa mais pacífica, misturando rosnados e harmonias limpas, enraizadas em um motivo pensativo de guitarra solo que cria um senso de urgência. Enquanto isso, “With Nothing We Part”, mais próximo, abre em um estilo post-rock mais despojado e puro, semelhante ao Mogwai antes de encontrar o caminho de volta ao metal. No entanto, grande parte Nada sobrou para desconstruir soa como um destilado pós-metal sombrio, falhando em se distinguir além de ser apenas uma boa entrada no gênero.

E embora ‘simplesmente bom’ possa parecer condenatório com elogios fracos, Costa Solitária ser uma audição agradável, mesmo que nem sempre o surpreendam. Faixas como “Parhelion” e “Birth of a Mountain” tocam com compassos 5/4, 6/4 e 7/4 que atrapalham o ouvinte de forma bastante satisfatória. A performance vocal de Netto é consistentemente Costa Solitária aspecto mais envolvente, e o baterista Pedro Mercier oferece um kitwork saboroso, com “To Stride the Black Earth” mostrando seu estilo limpo e sem esforço.

Onde Costa Solitária a vacilação está principalmente na produção, o que enfraquece um pouco o registro. Faixas como “Straylight” demonstram uma falta de ar estranha em um álbum que deveria ser eminentemente atmosférico, e essa falta de ambiente – uma cama para os instrumentos repousarem, muitas vezes com roupas pós-metal – é notável. A falta de graves fortes também afeta a capacidade de mordida da banda; riffs que deveriam ser sismicamente pesados ​​simplesmente andam por aí. Nada sobrou para desconstruir é um trabalho globalmente sólido, mas luta para transcender os limites do estúdio e atingir o peso cinematográfico de que tanto necessita.

O pós-metal recompensa a paciência e Costa Solitária não são exceção. Nada sobrou para desconstruir revela seu melhor lado lentamente, mas nenhuma paciência por parte do ouvinte verá uma obra-prima se desenrolar. Composição e produção mais rigorosas, bem como a vontade de ser mais criativo do que seus pares, renderão dividendos para a banda brasileira. Se você desmontar algo, poderá ver como funciona e compreendê-lo mais completamente, então talvez haja são algumas coisas sobraram disso Costa Solitária poderia desconstruir – apenas pensem no Grande Dilúvio de Melaço, rapazes.


Faixas recomendadas: To Stride the Black Earth, Birth of a Mountain, Of Lost Waters
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Veredicto final: 6/10

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Gravadora: Willowtip Records

Costa Solitária é:
– Bruno Farinazzo (guitars)
– Luan Moura (baixo)
– Luiz Felipe Netto (vocal, guitarra, teclado)
– Pedro Mercier (bateria)
– Renan Rubim (guitars, keyboards)

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