A resposta divisiva a este álbum dos Beatles encapsula perfeitamente as personalidades de todos os quatro membros (e de George Martin também)

Quanto tempo uma gravadora deveria esperar antes de capitalizar a nostalgia de uma banda que já se separou? Para a Capitol e a Parlophone, essa resposta durou cerca de seis anos. Pelo menos foi quanto tempo se passou entre a separação oficial dos Beatles e o lançamento de uma compilação do Fab Four pelas duas gravadoras Rock’n’Roll.

O álbum apresentava uma mistura de originais e covers, desde os primeiros anos de “Twist And Shout” até faixas do “White Album” como “Back In The URSS” e “Helter Skelter”. O presidente da Capitol Records, Bhaskar Menon, procurou o produtor George Martin para aprovar os cortes antes de prensarem o vinil. Martin lembrou em sua autobiografia que ficou “horrorizado” com a qualidade do áudio das gravações originalmente mono sendo transferidas para fita em estéreo.

Martin fez o possível para ajustar as gravações, o que fez sem remuneração, motivado apenas pelo desejo de não ter seu trabalho anterior com os Beatles “mutilado” pela compilação pós-separação. A resposta do produtor foi, de certa forma, indicativa de sua ética de trabalho e personalidade, principalmente no contexto dos Beatles.

Curiosamente, o resto das reações dos ex-companheiros de banda também pareciam encapsular perfeitamente seus temperamentos e motivações.

As reações dos Beatles ao ‘Rock ‘N’ Roll’ são identificáveis ​​mesmo sem citar nomes

Durante seu curto mandato como banda, os membros individuais dos Beatles desenvolveram reputação por terem certos humores e disposições. Paul McCartney era o bonitinho e trabalhador. John Lennon era o desordeiro e vanguardista. George Harrison era quem tinha a mente focada na música e em nada de fofocas. E Ringo Starr era, claro, o adorável veterinário do showbiz que manteve as coisas leves.

De certa forma, a resposta de cada ex-membro do Fab Four à coletânea divisiva de 1976 reflete essas atitudes. McCartney, por exemplo, ficou mais irritado com o fato de que sua banda então atual, Wings, teria que competir com sua antiga banda pelas rádios. Sempre um burro de carga, mesmo fora dos Beatles.

Enquanto isso, Lennon perguntou se ele poderia refazer a arte da capa porque ele a odiava muito. Ex-estudante de arte, só faria sentido que Lennon quisesse resolver o problema com as próprias mãos no que diz respeito à sua imagem. Starr teve dúvidas semelhantes, dizendo que o álbum fez os Beatles parecerem “baratos”, por O telégrafoque é a última coisa que alguém com seu estilo e poder de estrela da indústria desejaria.

Harrison expressou que era “indiferente”. A equipe do músico disse uma vez: “Não há como comparar isso com o que George está fazendo agora”. E, de fato, a essa altura, Harrison era desfrutando de uma carreira solo de grande sucesso. Como sempre, ele estava de olho na música. E sem McCartney e Lennon sufocarem as suas contribuições, essa atenção estava mais concentrada do que nunca.

Apesar das reações divisivas, Rock’n’Roll alcançou a 2ª posição nos Estados Unidos e Canadá e a 11ª posição no Reino Unido.

Foto por arquivo de fotos/Getty Images

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