A cineasta de Atlanta Deborah Riley Draper nomeou sua produtora, Coffee Bluff Pictures, em homenagem a um lugar que muitas pessoas não conhecem, um pequeno enclave em Savannah, Geórgia, historicamente colonizado por famílias anteriormente escravizadas. O nome é um lembrete, diz Draper, de quem ela é e de quem ela presta contas: as comunidades cujas histórias ela leva para a tela.

Essa responsabilidade molda cada projeto que ela assume como cineasta. Isso aparece visivelmente em seu novo documentário, Romare Bearden: uma vida em colagemo primeiro longa-metragem já feito sobre o artista, que Draper exibiu no Cannes Marché du Film em maio passado. Bearden passou a vida insistindo que os negros, e não as instituições externas, deveriam ser os que documentavam e contavam histórias da vida negra.
Romare Bearden: uma vida em colagem insiste na mesma coisa.
“Romare Bearden sempre esteve à nossa frente”, diz Draper. “O que parece urgente agora é que a cultura finalmente tenha alcançado as questões que ele estava fazendo – sobre lugar, identidade, ritual e o que significa construir um eu a partir de histórias e experiências vividas complexas e múltiplas.”
“Ele estava desafiando quem interpreta a cultura, quem fica centrado e quem é escrito. Isso não é história. Isso é agora.”
Débora Riley Draper
Por que Romare Bearden e por que agora?
Bearden nasceu em Charlotte, Carolina do Norte, em 2 de setembro de 1911. Sua família migrou para o Harlem, onde sua casa atraiu artistas e intelectuais. Ele se tornou pintor, colagista, muralista e cofundou a Cinque Gallery para apoiar artistas negros excluídos do mundo da arte convencional. Morreu em 1988, mas a sua obra nunca deixou de ser contemporânea.
“Em 1969, [Bearden] liderou o protesto contra o Met por montar uma exposição sobre o Harlem sem envolver o Harlem – sem artistas negros, sem curadores negros”, explica Draper. “Ele estava desafiando quem interpreta a cultura, quem fica centrado e quem é eliminado. Isso não é história. Isso é agora.
Draper feito Romare Bearden: uma vida em colagem para mudar a maneira como Bearden trabalhava – por meio de justaposição, fragmentação e acumulação. Imagens de arquivo acompanham vozes contemporâneas. Fragmentos de pinturas se abrem na memória. O áudio raro do próprio Bearden serve como narração do filme, guiando os espectadores por sua vida e obra.
“O significado é acumulado, não ditado”, diz Draper. “O público é convidado a participar dessa construção… a fazer conexões, a sentar-se dentro das lacunas.”
Entre os recursos mais extraordinários do filme: imagens nunca antes vistas de Bearden conversando com James Baldwin e Alvin Ailey.
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“O que emerge é um ecossistema vivo de intelecto, experiência e talento artístico negro”, diz Draper. “Eles estão desafiando uns aos outros, aprimorando ideias em tempo real. Essa filmagem muda a escala do filme.”
O que vem a seguir no filme?
Os produtores executivos incluem Grant Hill, membro do Hall da Fama da NBA, e a veterana diretora de marketing Kimberly Evans Paige, bem como Jocelyn Moore, Robin Lyon e Alva Greenberg. Draper está atualmente finalizando uma estratégia de festival e distribuição que inclui um verão de exibições com museus e colecionadores, um lançamento limitado nos cinemas e depois streaming.

O filme foi financiado inteiramente por meio de contribuições de caridade. Quem quiser apoiar a sua conclusão pode fazer uma doação dedutível de impostos através do Fundo Documentário do Sul.
“Muito do apoio às artes está a diminuir à medida que diversidade, inclusão e equidade se tornam palavras que criam reações e desconforto”, diz Draper. “Mesmo assim, muitas pessoas ainda entendem a importância da arte e das conversas e ideias que nos transformam.”
Bearden também entendeu isso. Ele passou a vida inteira insistindo nisso.